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Baleias e tartarugas-marinhas são estrelas na Praia do Forte

> 25/08/2009

 

por Kamila Almeida

Além de axé, praias paradisíacas e natureza exuberante, a Bahia também tem calor o ano inteiro. Ótima opção de passeio para os gaúchos que se arrepiam só de pensar no frio do inverno nos pampas. Entre as atrações turísticas mais badaladas está a Praia do Forte, no município de Mata de São João.

Carinhosamente conhecida como Polinésia Brasileira, a praia é repleta de atrações durante o ano todo. Restaurantes de comidas baianas e frutos do mar, bares com música ao vivo, resorts, reservas ecológicas e muita história do Brasil são o misto que fazem do local o xodó dos turistas. São 12 quilômetros de orla emoldurada por coqueirais, dunas brancas e piscinas naturais. A temperatura mínima na região é de 22ºC e o período de chuvas vai de maio a julho.

A Vila, como é chamado o centro da praia, é abençoada pela igreja de São Francisco de Assis, construída em 1.900 pelos pescadores que acreditavam que estariam mais protegidos se tivessem uma capela na beira do mar.

Filhotes baianos

De julho a outubro a Praia do Forte recebe as gigantes baleias Jubarte. Após uma longa jornada de cerca de 5 mil quilômetros elas atracam na Praia do Forte vindas das águas gélidas da Antártida. Na Bahia, buscam águas quentes e cristalinas, ideais para a reprodução e para as primeiras aventuras de seus filhotes. O turista pode assistir a tudo isso de camarote.

Para quem quiser conhecer como é a vida desses animais, após passar por uma palestra de educação ambiental e normas de procedimento para observação, é possível fazer passeios em lanchas, escunas ou catamarãs, distantes de 6 a 10 milhas da costa. O passeio dura de seis a oito horas e o valor varia de acordo com cada agenciador.

Projeto Tamar

Toda a orla da Praia do Forte é monitorada pelo Projeto Tamar. Lá foi instalada, há 30 anos, a base do projeto que estuda a vida das tartarugas-marinha. O acompanhamento dos animais ocorre também em outras 22 cidades, entre o Ceará e Santa Catarina em mais de 1.100 quilômetros de costa. Além de mudar o comportamento dos moradores, o projeto também impulsionou o comércio da região.

Com o tempo surgiu a profissão de "tartarugueiro", que são membros da comunidade que percorrem cerca de cinco quilômetros em busca de ovos de tartaruga e são encarregados de avisar a base sobre a localização de cada um dos ninhos.

Para visitar, o turista paga R$ 10 pela entrada inteira e ainda pode agendar uma visita guiada. O lugar é recheado de tanques com exemplares da fauna marinha da região e de quatro das cinco espécies de tartarugas-marinhas encontradas no Brasil. Elas são acomodadas em 600 mil litros de água salgada. Entre dezembro e fevereiro, o visitante tem a oportunidade de acompanhar a soltura dos filhotes na praia.

Informações: (71) 3676-0321

Ruínas em pleno paraíso tropical

Em meio a um cenário tropical, as ruínas de um castelo em estilo medieval surpreendem o turista. O Castelo Garcia D'Ávila, construído em 1551 e localizado na entrada do acesso à Praia do Forte, foi a primeira edificação residencial-militar do Brasil. A recepção é feita por uma vigorosa figueira de mais de cem anos e cada canto do prédio é carregado de uma intensa energia que nos remete ao período do Descobrimento. O segundo piso do castelo oferece uma das mais belas vistas da Praia do Forte.

Garcia D'Ávila foi escolhido por Tomé de Souza para tomar conta das terras brasileiras. Quando chegou à Bahia, avistou uma montanha no alto do colina do Tapuapara, a 73 metros acima do nível do mar e decidiu se instalar. Lá, ele construiu sua casa, uma igreja e um forte para poder observar a movimentação dos inimigos.

Foi a fortaleza de Garcia D'Ávila que deu nome à Praia do Forte. Ao todo, 10 gerações moraram na casa. O castelo também serviu de abrigo para Dom João VI, quando veio de Portugal, em 1822.

Conhecida pelos primórdios como Fazenda do Coco e considerada a maior do Brasil, a área ocupava nos idos de 1550, 10% do território nacional. Toda a propriedade de Garcia D'Ávila era demarcada por coqueiros, que foram trazidos da Ásia com as missões para balancear o peso do navio.

Depois da última habitação em 1835, os nativos invadiram a mansão e começaram a saquear. Hoje, o prédio ainda mantém 40% da construção original intacta. No museu estão expostos parte dos cerca de 400 mil fragmentos que foram encontrados no castelo. É um dos maiores sítios arqueológicos catalogados no Brasil.

Para se ter uma aula de história e se sentir em uma viagem no tempo, o ideal é contratar o guia do local, que cobra, em média, R$ 10 para contar todas as curiosidades sobre a fazenda.

Como chegar ao castelo — Seguir pela linha verde e entrar à direita, 2 km após a entrada da Praia do Forte. Da estrada até o parque são mais 4 km. O castelo fica a 70 km de salvador, 2,5 km da costa e a 3 km da Vila dos Pescadores.

Complexo de lazer para toda a família

Se a intenção das férias é diversão para toda a família, o Iberostar Praia do Forte é a opção ideal. Os Star Friends, como são chamados os integrantes da equipe de entretenimento do resort, propõem atividades para unir desde o avô até o neto, faça sol ou faça chuva.

Nos dois hectares do complexo, em Mata de São João, estão os hoteis o Iberostar Bahia, construído em 2006 com 632 quartos, e o Iberostar Praia do Forte, de 2008, com 536 apartamentos.

O resort tem uma parceria com o Projeto Tamar. Assim, os hóspedes têm uma aula de meio ambiente e conhecem tudo sobre a vida das tartarugas-marinhas em um espaço exclusivo para o estudo. Em respeito aos hábitos dos bichinhos, os 2,5 quilômetros de orla ocupados pelo complexo são de escuridão total. As luzes podem impedir que as tartarugas-marinhas saiam do mar e larguem os ovos na areia.

Ao lado da casa que abriga o projeto fica um mirante onde é possível observar também, entre os meses de julho e novembro, as Baleias Jubarte.

De setembro a março, durante o período de desova, uma vez por semana ocorre o processo de soltura dos filhotes no mar e os hóspedes são convidados para o show da natureza.

A diária de cerca de R$ 380 dá acesso ao sistema all inclusive, onde toda a infra-estrutura do empreendimento pode ser desfrutada sem custo adicional. São quatro restaurantes, campo de golf, quadras esportivas, seis piscinas, sete bares, danceteria e teatro.

Os hóspedes têm direito ainda de usufruir de massagens, tratamentos estéticos, banhos frios e quentes e saunas no El Spa, inaugurado no início deste ano.

Mas se você estiver apenas de passagem pela região e quiser conhecer os atrativos do complexo, um passaporte pode ser adquirido para passar o dia por cerca de R$ 180, e o tempo de permanência é das 10h às 18h, com todo o serviço de bares e restaurantes incluídos. Crianças até 12 anos tem entrada e hospedagem gratuitas.

Dica da Repórter

Não deixe de conhecer Arembepe. O lugar ficou conhecido nos anos 70, quando foi palco para a construção da primeira aldeia hippie do Brasil. A 34 quilômetros ao Sul da Praia do Forte, no distrito de Camaçari, a cidade já atraiu os malucos-beleza Raul Seixas e Janes Joplin e até hoje mantém o espírito bicho-grilo. Na aldeia hippie, os telhados das casas da comunidade continuam de sapé e a energia elétrica e a água encanada nem chegaram por lá.

A rusticidade ganha ainda mais força pela praia bordada por dunas, restingas, piscinas naturais e lagoas. O acesso é feito a pé por uma estrada de chão batido. A entrada da vila é precedida por uma estação do Tamar, com estacionamento e loja do projeto.

Como chegar : Do aeroporto de Salvador até a Praia do Forte são cerca de 54 km. O caminho é pela Estrada do Coco, BA-099. Logo após terminar a Estrada do Coco, no km 1 da Linha Verde, uma placa indica a entrada do povoado, distante 1,5 km.

Compras sem esforço

Para aqueles que férias é sinônimo de descanso total, os passeios na Vila podem ser feitos de bicitáxi. E, nem precisa pedalar. O motorista conduz a bicicleta de quatro rodas, com direito a pitstop para compras nas lojas do povoado. O passeio custa em média R$ 10 para um grupo de até três pessoas.

Você sabia?

Todos aqueles coqueiros que brotam das terras baianas são asiáticos. Eles vieram para cá em 1549, junto com a embarcação de Garcia D'ávila para servir de equilíbrio para o navio. Quando chegavam aqui eram jogados fora ou utilizados para a demarcação das terras do almoxarife real. A espécie se adaptou tão bem aos trópicos que muita gente acredita até hoje que a água de coco é coisa da Bahia.

Na fase adulta, uma baleia Jubarte pode chegar a 16 metros de comprimento e 40 toneladas.

Cuidado com o dendê

A comida baiana é muito saborosa, temperada, mas pesada. Não passe pela terra de Jorge Amado sem comer Acarajé, vatapá, moqueca de peixe, camarão, frutos do mar e farofa, mas tudo isso com moderação. O Azeite de Dendê, ingrediente absoluto em todas essas delícias, é tão saboroso quanto forte.

Frio, por favor!

Na hora de fazer o pedido, se você for questionado sobre a preferência por quente ou frio, não titubeie: Frio, por favor! A menos que seu estômago tenha disposição para o calor de uma pimenta bem baiana.

Lavando a alma

Para amenizar todos os efeitos dessa comilança, muita água de coco. É uma bebida baratinha, custa em média R$ 2, e tem poderes milagrosos de hidratação e de alívio para o estômago.

 

Fonte: ZEROHORA.COM

 


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