por Kamila Almeida
Além de axé, praias paradisíacas
e natureza exuberante, a Bahia também tem calor o ano
inteiro. Ótima opção de passeio para
os gaúchos que se arrepiam só de pensar no frio
do inverno nos pampas. Entre as atrações turísticas
mais badaladas está a Praia do Forte, no município
de Mata de São João.
Carinhosamente conhecida como Polinésia
Brasileira, a praia é repleta de atrações
durante o ano todo. Restaurantes de comidas baianas e frutos
do mar, bares com música ao vivo, resorts, reservas
ecológicas e muita história do Brasil são
o misto que fazem do local o xodó dos turistas. São
12 quilômetros de orla emoldurada por coqueirais, dunas
brancas e piscinas naturais. A temperatura mínima na
região é de 22ºC e o período de
chuvas vai de maio a julho.
A Vila, como é chamado o centro da
praia, é abençoada pela igreja de São
Francisco de Assis, construída em 1.900 pelos pescadores
que acreditavam que estariam mais protegidos se tivessem uma
capela na beira do mar.
Filhotes baianos
De julho a outubro a Praia do Forte recebe
as gigantes baleias Jubarte. Após uma longa jornada
de cerca de 5 mil quilômetros elas atracam na Praia
do Forte vindas das águas gélidas da Antártida.
Na Bahia, buscam águas quentes e cristalinas, ideais
para a reprodução e para as primeiras aventuras
de seus filhotes. O turista pode assistir a tudo isso de camarote.
Para quem quiser conhecer como é a
vida desses animais, após passar por uma palestra de
educação ambiental e normas de procedimento
para observação, é possível fazer
passeios em lanchas, escunas ou catamarãs, distantes
de 6 a 10 milhas da costa. O passeio dura de seis a oito horas
e o valor varia de acordo com cada agenciador.
Projeto Tamar
Toda a orla da Praia do Forte é monitorada
pelo Projeto Tamar. Lá foi instalada, há 30
anos, a base do projeto que estuda a vida das tartarugas-marinha.
O acompanhamento dos animais ocorre também em outras
22 cidades, entre o Ceará e Santa Catarina em mais
de 1.100 quilômetros de costa. Além de mudar
o comportamento dos moradores, o projeto também impulsionou
o comércio da região.
Com o tempo surgiu a profissão de "tartarugueiro",
que são membros da comunidade que percorrem cerca de
cinco quilômetros em busca de ovos de tartaruga e são
encarregados de avisar a base sobre a localização
de cada um dos ninhos.
Para visitar, o turista paga R$ 10 pela entrada
inteira e ainda pode agendar uma visita guiada. O lugar é
recheado de tanques com exemplares da fauna marinha da região
e de quatro das cinco espécies de tartarugas-marinhas
encontradas no Brasil. Elas são acomodadas em 600 mil
litros de água salgada. Entre dezembro e fevereiro,
o visitante tem a oportunidade de acompanhar a soltura dos
filhotes na praia.
Informações: (71) 3676-0321
Ruínas em pleno paraíso
tropical
Em meio a um cenário tropical, as ruínas
de um castelo em estilo medieval surpreendem o turista. O
Castelo Garcia D'Ávila, construído em 1551 e
localizado na entrada do acesso à Praia do Forte, foi
a primeira edificação residencial-militar do
Brasil. A recepção é feita por uma vigorosa
figueira de mais de cem anos e cada canto do prédio
é carregado de uma intensa energia que nos remete ao
período do Descobrimento. O segundo piso do castelo
oferece uma das mais belas vistas da Praia do Forte.
Garcia D'Ávila foi escolhido por Tomé
de Souza para tomar conta das terras brasileiras. Quando chegou
à Bahia, avistou uma montanha no alto do colina do
Tapuapara, a 73 metros acima do nível do mar e decidiu
se instalar. Lá, ele construiu sua casa, uma igreja
e um forte para poder observar a movimentação
dos inimigos.
Foi a fortaleza de Garcia D'Ávila que
deu nome à Praia do Forte. Ao todo, 10 gerações
moraram na casa. O castelo também serviu de abrigo
para Dom João VI, quando veio de Portugal, em 1822.
Conhecida pelos primórdios como Fazenda
do Coco e considerada a maior do Brasil, a área ocupava
nos idos de 1550, 10% do território nacional. Toda
a propriedade de Garcia D'Ávila era demarcada por coqueiros,
que foram trazidos da Ásia com as missões para
balancear o peso do navio.
Depois da última habitação
em 1835, os nativos invadiram a mansão e começaram
a saquear. Hoje, o prédio ainda mantém 40% da
construção original intacta. No museu estão
expostos parte dos cerca de 400 mil fragmentos que foram encontrados
no castelo. É um dos maiores sítios arqueológicos
catalogados no Brasil.
Para se ter uma aula de história e
se sentir em uma viagem no tempo, o ideal é contratar
o guia do local, que cobra, em média, R$ 10 para contar
todas as curiosidades sobre a fazenda.
Como chegar ao castelo — Seguir pela
linha verde e entrar à direita, 2 km após a
entrada da Praia do Forte. Da estrada até o parque
são mais 4 km. O castelo fica a 70 km de salvador,
2,5 km da costa e a 3 km da Vila dos Pescadores.
Complexo de lazer para toda a família
Se a intenção das férias
é diversão para toda a família, o Iberostar
Praia do Forte é a opção ideal. Os Star
Friends, como são chamados os integrantes da equipe
de entretenimento do resort, propõem atividades para
unir desde o avô até o neto, faça sol
ou faça chuva.
Nos dois hectares do complexo, em Mata de
São João, estão os hoteis o Iberostar
Bahia, construído em 2006 com 632 quartos, e o Iberostar
Praia do Forte, de 2008, com 536 apartamentos.
O resort tem uma parceria com o Projeto Tamar.
Assim, os hóspedes têm uma aula de meio ambiente
e conhecem tudo sobre a vida das tartarugas-marinhas em um
espaço exclusivo para o estudo. Em respeito aos hábitos
dos bichinhos, os 2,5 quilômetros de orla ocupados pelo
complexo são de escuridão total. As luzes podem
impedir que as tartarugas-marinhas saiam do mar e larguem
os ovos na areia.
Ao lado da casa que abriga o projeto fica
um mirante onde é possível observar também,
entre os meses de julho e novembro, as Baleias Jubarte.
De setembro a março, durante o período
de desova, uma vez por semana ocorre o processo de soltura
dos filhotes no mar e os hóspedes são convidados
para o show da natureza.
A diária de cerca de R$ 380 dá
acesso ao sistema all inclusive, onde toda a infra-estrutura
do empreendimento pode ser desfrutada sem custo adicional.
São quatro restaurantes, campo de golf, quadras esportivas,
seis piscinas, sete bares, danceteria e teatro.
Os hóspedes têm direito ainda
de usufruir de massagens, tratamentos estéticos, banhos
frios e quentes e saunas no El Spa, inaugurado no início
deste ano.
Mas se você estiver apenas de passagem
pela região e quiser conhecer os atrativos do complexo,
um passaporte pode ser adquirido para passar o dia por cerca
de R$ 180, e o tempo de permanência é das 10h
às 18h, com todo o serviço de bares e restaurantes
incluídos. Crianças até 12 anos tem entrada
e hospedagem gratuitas.
Dica da Repórter
Não deixe de conhecer Arembepe. O lugar
ficou conhecido nos anos 70, quando foi palco para a construção
da primeira aldeia hippie do Brasil. A 34 quilômetros
ao Sul da Praia do Forte, no distrito de Camaçari,
a cidade já atraiu os malucos-beleza Raul Seixas e
Janes Joplin e até hoje mantém o espírito
bicho-grilo. Na aldeia hippie, os telhados das casas da comunidade
continuam de sapé e a energia elétrica e a água
encanada nem chegaram por lá.
A rusticidade ganha ainda mais força
pela praia bordada por dunas, restingas, piscinas naturais
e lagoas. O acesso é feito a pé por uma estrada
de chão batido. A entrada da vila é precedida
por uma estação do Tamar, com estacionamento
e loja do projeto.
Como chegar : Do aeroporto de Salvador até
a Praia do Forte são cerca de 54 km. O caminho é
pela Estrada do Coco, BA-099. Logo após terminar a
Estrada do Coco, no km 1 da Linha Verde, uma placa indica
a entrada do povoado, distante 1,5 km.
Compras sem esforço
Para aqueles que férias é sinônimo
de descanso total, os passeios na Vila podem ser feitos de
bicitáxi. E, nem precisa pedalar. O motorista conduz
a bicicleta de quatro rodas, com direito a pitstop para compras
nas lojas do povoado. O passeio custa em média R$ 10
para um grupo de até três pessoas.
Você sabia?
Todos aqueles coqueiros que brotam das terras
baianas são asiáticos. Eles vieram para cá
em 1549, junto com a embarcação de Garcia D'ávila
para servir de equilíbrio para o navio. Quando chegavam
aqui eram jogados fora ou utilizados para a demarcação
das terras do almoxarife real. A espécie se adaptou
tão bem aos trópicos que muita gente acredita
até hoje que a água de coco é coisa da
Bahia.
Na fase adulta, uma baleia Jubarte pode chegar
a 16 metros de comprimento e 40 toneladas.
Cuidado com o dendê
A comida baiana é muito saborosa, temperada,
mas pesada. Não passe pela terra de Jorge Amado sem
comer Acarajé, vatapá, moqueca de peixe, camarão,
frutos do mar e farofa, mas tudo isso com moderação.
O Azeite de Dendê, ingrediente absoluto em todas essas
delícias, é tão saboroso quanto forte.
Frio, por favor!
Na hora de fazer o pedido, se você for
questionado sobre a preferência por quente ou frio,
não titubeie: Frio, por favor! A menos que seu estômago
tenha disposição para o calor de uma pimenta
bem baiana.
Lavando a alma
Para amenizar todos os efeitos dessa comilança,
muita água de coco. É uma bebida baratinha,
custa em média R$ 2, e tem poderes milagrosos de hidratação
e de alívio para o estômago.
Fonte: ZEROHORA.COM


-> voltar
para página inicial
| voltar
para página de notícias