Diana Gomes l A TARDE
A escolha do Rio de Janeiro para sediar a
Olimpíada de 2016 trouxe esperança para a retomada
da prática esportiva nas escolas. O ambiente escolar
– que já é a porta de entrada e de formação
de atletas de ponta em países como Estados Unidos e
Cuba –, pode tornar-se um meio para a revelação
de talentos até 2016.
Pensando dessa forma, o sub-coordenador de
planejamento de eventos e projetos esportivos da Prefeitura
de Salvador, Bruno de Barros, afirma que dentro de 10 dias
o órgão já estará com uma estratégia
voltada para a formação de atletas locais que
possam participar da Olimpíada do Rio de Janeiro.
“Estamos começando a elaborar
algo macro. Vamos fazer requalificação de professores
nas escolas”, contou sobre alguns dos planos que ainda
estão sendo traçados.
Entre os projetos mais significativos, está
a implantação de escolinhas de esportes olímpicos
que ainda não são praticados em Salvador e a
construção de um centro de treinamento de alto
rendimento que pode dar apoio aos atletas que são revelados
nas escolas e nas universidades da capital baiana. “Estamos
abrindo um projeto rumo ao Rio. Temos seis anos para formar
esses atletas”, avalia Bruno.
Os órgãos públicos terão
muito o que fazer. De acordo com o presidente da Federação
Universitária Baiana de Esportes, Silvio Nunes, a prática
de esportes nas escolas baianas é precária.
“Existe um trabalho mais organizado nas faculdades de
Salvador, que até mandam atletas para eventos internacionais”,
disse ele, que ainda aponta outro problema: a decadência
dos clubes, que serviriam de apoio estrutural para as escolas.
Um dos problemas apontados por Silvio é
a falta de equipamentos esportivos públicos e privados
que possam dar suporte aos atletas formados em escolas e faculdades.
Isso faz com que as revelações baianas passem
a morar em outro Estado.
São Paulo e Minas Gerais são
os Estados que mais investem na formação de
atletas de base, de acordo com Silvio Nunes.
Foco no interior - O diretor geral da Superintendência
de Desportos da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato, o Bobô,
disse que já realizava trabalhos para o fortalecimento
do esporte independente da Olimpíada, como o Faz Ateta,
mas que com a novidade pretende trabalhar para que mais baianos
possam estar no Rio, em 2016. “Vamos fazer um plano
e ter uma discussão com o COB para contar com o apoio
deles”.
Hoje, a Sudesb investe nos Jogos Escolares,
competição que é realizada pelos municípios
com o patrocínio do Estado. “A escola é
a grande fomentadora do esporte. Ela que cria raízes
com os jovens”, considera Bobô.
O maior incentivo hoje tem acontecido nas
escolas municipais e estaduais do interior do Estado. Ele
afirma que já foram assinados convênios com mais
de 10 cidades para que as prefeituras utilizem os espaços
nas escolas e incentivem a pratica de qualquer modalidade,
independente de ser olímpica ou não. “Cada
cidade identifica o seu perfil e nos passa as suas necessidades.
Algumas optam por trabalhar 10, 12 modalidades”, diz.
Entre os esportes praticados no interior,
está o boxe, que tem revelado grandes talentos.
Particulares x Públicas - As Olimpíadas
Escolares são o maior evento estudantil esportivo do
Brasil. Dados mostram que as escolas públicas possuem
uma representatividade maior nos Jogos, em relação
à participação de particulares.
Os números da edição
de 2008, apontam 13.845 escolas públicas participando
das Olimpíadas Escolares na categoria 12 a 14 anos,
enquanto a presença das particulares foi de 4.815.
Na categoria 15 a 17 anos, 5.070 escolas estiveram nos Jogos
e 17.161 públicas foram representadas.
O evento é realizado em duas etapas
– em cidades diferentes –, com faixas etárias
distintas (de 12 a 14, e de 15 a 17 anos), e conta nove modalidades:
atletismo, judô, natação, tênis
de mesa, xadrez, basquete, futsal, handebol e vôlei.
Números do esporte escolar e universitário
Quadras - Na Bahia são
2.052 escolas do ensino médio com quadras esportivas.
Já no ensino fundamental, 952 escolas possuem quadras.
Os dados são da última pesquisa feita pelo Ministério
da Educação, em 2006.
Salvador - O número
de escolas voltadas para a prática esportiva é
irrisório. Das 411 escolas municipais, apenas 32 possuem
quadras. Isso representa 0,4% de colégios voltados
para a prática esportiva.
Olimpíadas Escolares
- Foram 1.869 municípios brasileiros participando das
etapas municipais e estaduais das Olimpíadas Escolares
na categoria 12 a 14 anos, em 2008. Isso representa 33,6%
das cidades do País.
Olimpíadas Escolares II
- Já na categoria 15 a 17 anos, idade em que os alunos
devem estar cursando o ensino médio, os números
são menores. Foram 23,2% do total de escolas no País,
o que representa 1.294 escolas participando das Olimpíadas
Escolares.
Jogos para universitários
- O COB também organiza as Olimpíadas Universitárias
que reúnem atletas entre 18 e 28 anos. O evento anual
conta com etapas estaduais e nacionais. Até 2004, a
competição era realizada pela Confederação
Brasileira de Desporto Universitário e pelo Ministério
do Esporte e, em 2005, passou a contar com a promoção
também do COB.
Fonte: A Tarde


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