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Bahia corre para formar atletas de olho em 2016

> 10/10/2009



Diana Gomes l A TARDE

A escolha do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016 trouxe esperança para a retomada da prática esportiva nas escolas. O ambiente escolar – que já é a porta de entrada e de formação de atletas de ponta em países como Estados Unidos e Cuba –, pode tornar-se um meio para a revelação de talentos até 2016.

Pensando dessa forma, o sub-coordenador de planejamento de eventos e projetos esportivos da Prefeitura de Salvador, Bruno de Barros, afirma que dentro de 10 dias o órgão já estará com uma estratégia voltada para a formação de atletas locais que possam participar da Olimpíada do Rio de Janeiro.

“Estamos começando a elaborar algo macro. Vamos fazer requalificação de professores nas escolas”, contou sobre alguns dos planos que ainda estão sendo traçados.

Entre os projetos mais significativos, está a implantação de escolinhas de esportes olímpicos que ainda não são praticados em Salvador e a construção de um centro de treinamento de alto rendimento que pode dar apoio aos atletas que são revelados nas escolas e nas universidades da capital baiana. “Estamos abrindo um projeto rumo ao Rio. Temos seis anos para formar esses atletas”, avalia Bruno.

Os órgãos públicos terão muito o que fazer. De acordo com o presidente da Federação Universitária Baiana de Esportes, Silvio Nunes, a prática de esportes nas escolas baianas é precária. “Existe um trabalho mais organizado nas faculdades de Salvador, que até mandam atletas para eventos internacionais”, disse ele, que ainda aponta outro problema: a decadência dos clubes, que serviriam de apoio estrutural para as escolas.

Um dos problemas apontados por Silvio é a falta de equipamentos esportivos públicos e privados que possam dar suporte aos atletas formados em escolas e faculdades. Isso faz com que as revelações baianas passem a morar em outro Estado.

São Paulo e Minas Gerais são os Estados que mais investem na formação de atletas de base, de acordo com Silvio Nunes.

Foco no interior - O diretor geral da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato, o Bobô, disse que já realizava trabalhos para o fortalecimento do esporte independente da Olimpíada, como o Faz Ateta, mas que com a novidade pretende trabalhar para que mais baianos possam estar no Rio, em 2016. “Vamos fazer um plano e ter uma discussão com o COB para contar com o apoio deles”.

Hoje, a Sudesb investe nos Jogos Escolares, competição que é realizada pelos municípios com o patrocínio do Estado. “A escola é a grande fomentadora do esporte. Ela que cria raízes com os jovens”, considera Bobô.

O maior incentivo hoje tem acontecido nas escolas municipais e estaduais do interior do Estado. Ele afirma que já foram assinados convênios com mais de 10 cidades para que as prefeituras utilizem os espaços nas escolas e incentivem a pratica de qualquer modalidade, independente de ser olímpica ou não. “Cada cidade identifica o seu perfil e nos passa as suas necessidades. Algumas optam por trabalhar 10, 12 modalidades”, diz.

Entre os esportes praticados no interior, está o boxe, que tem revelado grandes talentos.

Particulares x Públicas - As Olimpíadas Escolares são o maior evento estudantil esportivo do Brasil. Dados mostram que as escolas públicas possuem uma representatividade maior nos Jogos, em relação à participação de particulares.

Os números da edição de 2008, apontam 13.845 escolas públicas participando das Olimpíadas Escolares na categoria 12 a 14 anos, enquanto a presença das particulares foi de 4.815. Na categoria 15 a 17 anos, 5.070 escolas estiveram nos Jogos e 17.161 públicas foram representadas.

O evento é realizado em duas etapas – em cidades diferentes –, com faixas etárias distintas (de 12 a 14, e de 15 a 17 anos), e conta nove modalidades: atletismo, judô, natação, tênis de mesa, xadrez, basquete, futsal, handebol e vôlei.

Números do esporte escolar e universitário

Quadras - Na Bahia são 2.052 escolas do ensino médio com quadras esportivas. Já no ensino fundamental, 952 escolas possuem quadras. Os dados são da última pesquisa feita pelo Ministério da Educação, em 2006.

Salvador - O número de escolas voltadas para a prática esportiva é irrisório. Das 411 escolas municipais, apenas 32 possuem quadras. Isso representa 0,4% de colégios voltados para a prática esportiva.

Olimpíadas Escolares - Foram 1.869 municípios brasileiros participando das etapas municipais e estaduais das Olimpíadas Escolares na categoria 12 a 14 anos, em 2008. Isso representa 33,6% das cidades do País.

Olimpíadas Escolares II - Já na categoria 15 a 17 anos, idade em que os alunos devem estar cursando o ensino médio, os números são menores. Foram 23,2% do total de escolas no País, o que representa 1.294 escolas participando das Olimpíadas Escolares.

Jogos para universitários - O COB também organiza as Olimpíadas Universitárias que reúnem atletas entre 18 e 28 anos. O evento anual conta com etapas estaduais e nacionais. Até 2004, a competição era realizada pela Confederação Brasileira de Desporto Universitário e pelo Ministério do Esporte e, em 2005, passou a contar com a promoção também do COB.

 

Fonte: A Tarde

 


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